Após desembarcar no aeroporto de Floriano, a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, se reuniu com o prefeito de Floriano, Joel Rodrigues (PP), e com o diretor do Hospital Regional Tibério Nunes, Justino Moreira, para discutir sobre o uso da cloroquina em conjunto com a azitromicina no protocolo de atendimento aos pacientes com Covid-19. A médica Marina Bucar Barjud, que está na Espanha fazendo pesquisas sobre o coronavírus, participou por videoconferência.
Pelo protocolo, o uso da cloroquina com a azitromicina é feito na fase inicial, a fase precoce do tratamento. É esse o diferencial do procedimento aplicado pelos médicos do Hospital Regional de Floriano. De acordo com o médico Justino Moreira, assim os profissionais administram os medicamentos assim que os pacientes começam a sentir os primeiros sintomas, porque caso a doença se agrave, os fármacos já não teriam tanta eficácia.
O Hospital Tibério Nunes já contabiliza sete pacientes considerados casos recuperados de Covid-19 a partir da implantação deste protocolo coordenador pela doutora Marina Bucar e pelo doutor Justino Moreira. No total, já são nove pacientes curados do coronavírus desde o início da pandemia na cidade. No momento, Floriano possui 24 casos confirmados da doença, mas nenhum paciente na UTI.
As três mortes contabilizadas no boletim da Sesapi (Secretaria Estadual de Saúde) ontem à noite, embora atribuídas à cidade de Floriano, não são de moradores da cidade. Tratam-se de pacientes de outros municípios que buscaram atendimento no Hospital Tibério Nunes, que é regional e recebe o contingente das cidades nos arredores. As pessoas infectadas pelo coronavírus que vieram a óbito no dia de ontem em Floriano são das cidades de Manoela Emídio, Socorro do Piauí e Júlio Borges.
Uso da cloroquina será avaliado por junta médica
O uso da cloroquina em conjunto com a azitromicina tem de mostrado eficaz no tratamento de pacientes de Covid-19 na fase inicial da doença ao menos nos casos acompanhados no Hospital Tibério Nunes, em Floriano. Em razão dos resultados a princípio positivos, o Governo do Piauí resolveu avaliar e definir o uso do fármaco para auxiliar no atendimento aos infectados.
A criação do comitê médico que vai proceder com o estudo desses medicamentos foi uma resposta do governo do Estado à provocação feita pelo Ministério Público Federal (MPF) no começo da semana, para que o Piauí adote medidas para a disponibilização do tratamento definido no Protocolo Covid-19, que testa justamente a aplicação da cloroquina e outras medicações na fase inicial da doença na rede pública de saúde.
De acordo com a ração civil pública impetrada pelo procurador Kelston Lages, o Estado deve dar ao cidadão o acesso ao tratamento estabelecido no Protocolo Covid-19 – Piauí – 4ª Atualização, que estabelece a administração da hidroxiloroquina em todo o Sistema Único de Saúde (SUS) para evitar o agravamento da doença e consequentemente, a superlotação dos leitos de UTI.
“Nós já seguimos as recomendações do Conselho Regional de Medicina, onde o médico tem a autonomia para prescrever os medicamentos que achar necessário e queremos dar as condições para que a ciência determine e dê segurança para qualquer aplicação medicamentosa”, explicou o governador Wellington Dias.
É importante ressaltar, no entanto, que ainda não há nenhuma pesquisa científica que comprove os resultados da cloroquina no tratamento da Covid-19. A expectativa e que em breve o comitê possa ter alguns dados para apresentar comparando o tratamento de pacientes que utilizaram corticoide e os que não usaram. “Existe um otimismo entre os médicos que estão trabalhando nesta vertente”, disse o oncologista Sabas Vieira, que participou da criação do comitê.




