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HANSENÍASE: Brasil tem apenas um ano para cumprir meta, país ainda está em segundo lugar em novos casos da doença

Folha Piauí por Folha Piauí
27 de junho de 2019
em Saúde
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HANSENÍASE: Brasil tem apenas um ano para cumprir meta,  país ainda está em segundo lugar em novos casos da doença
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“No início foi um choque. Até fechar o diagnóstico correto foi muito difícil. Não foi fácil saber que eu tinha Hanseníase. Contei com apoio da minha família, dos meus amigos e da minha fé em Jesus”. O depoimento é da assistente administrativa Simone Adriana Otoni, de 42 anos. Ela descobriu que tinha a doença em agosto de 2012. Os sintomas foram diferentes dos usuais da Hanseníase. Simone começou a ter inchaço nos pés, depois apareceram nódulos nas pernas e nos braços. O primeiro diagnóstico foi de dermatite. Ao fazer o tratamento e não apresentar melhoras, a assistente administrativa que, na época, trabalhava no setor de epidemiologia da regional Oeste, em Belo Horizonte, conversou com uma médica que a aconselhou procurar o Hospital das Clínicas, onde foi diagnosticada com Hanseníase.

A assistente administrativa teve a forma mais agressiva, a multibacilar. Ela conta que ainda faz tratamento por conta da reação aos medicamentos. Nesses 7 anos Simone passou por duas internações e teve fratura de vértebras mas complementa que o fundamental é que ela reconhece que “tinha que fazer o tratamento, não podia e não posso interromper. Só com ele vou me sentir melhor”.

Simone não sabe como contraiu a doença. Segundo ela, um tio teve hanseníase, mas ela conta que teve pouco contato com ele. Como a Hanseníase leva de 7 meses a 12 anos para se manifestar no organismo, todos os moradores da casa e amigos mais próximos precisaram fazer exames. A mãe dela apresentou os sintomas da doença um ano depois. Simone que percebeu as manchas que apareceram no corpo da mãe e a encaminhou para o mesmo médico. Hoje as duas estão curadas.

Todo o sofrimento de Simone poderia ter sido amenizado se ela tivesse sido diagnosticada logo no início. O professor doutor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais e dermatologista associado da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Marcelo Grossi Araújo, alerta que duas questões são fundamentais na Hanseníse: o diagnóstico precoce que evita o sofrimento para o paciente e diminui o risco de sequelas e de gasto para o sistema de saúde pública; e a otimização da questão operacional, ou seja, treinamento dos profissionais e esclarecimento a população. Segundo ele, a maioria dos casos tem diagnóstico simples e o tratamento é muito mais eficaz se for feito assim que aparecem os primeiros sintomas.           

O Brasil ainda ocupa o segundo lugar em todo mundo em número de casos de Hanseníase. Os estados que apresentam os maiores índices de novos casos da doença são Mato Grosso, Maranhão Pará, Pernambuco, Piauí e Tocantins, e o que é pior, muitos em menores de 15 anos. Um índice nada bom para o Brasil já que no ano que vem termina o programa Estratégia Global para a Hanseníase 2016-2020, lançado pela Organização Mundial de Saúde, que tem como principal meta reduzir a zero o número de criança com grau 2 de incapacidade provocado pela Hanseníase. Em 2017 foram notificados 54 casos no Brasil e em 2018 o número está em torno de 50, ainda em revisão e que deve ser divulgado oficialmente em setembro pelo Ministério da Saúde.      

Registros – No período de 2008 a 2016, foram notificados 301.322 casos de hanseníase em todo o país, dos quais 21.666 (7,2%) eram menores de 15 anos de idade. Nesse mesmo período, a taxa geral de detecção anual de casos novos foi reduzida em 43,0%, passando de 21,5 para 12,3/100 mil hab.; e, na faixa etária de menores de 15 anos, a redução foi de 50,7%, de 2,1 para 1,1/100 mil hab. 

Doença –. A hanseníase é uma doença infecciosa, crônica, causada por uma bactéria – Micobacterium leprae – que afeta a pele e os nervos periféricos, em especial os da  face, mãos e pés. A doença acomete pessoas nas mais diversas idades, incluindo crianças, independentemente de gênero. A progressão da doença é lenta, e seu período de incubação é prolongado e pode durar anos. A hanseníase tem cura e se tratada precocemente e de forma adequada, pode evitar as incapacidades e as sequelas.

Tags: Hanseníase

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