Em um movimento estratégico para enfrentar a vulnerabilidade climática e social, a Secretaria de Estado da Defesa Civil (Sedec) do Piauí anunciou oficialmente nesta sexta-feira(12) no CETI Julia Nunes Alves, Região Sudeste da capital, o programa ODS Sem Riscos. A iniciativa consiste em uma releitura inédita dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), adaptando as metas globais de sustentabilidade para a realidade prática das políticas públicas de gestão de riscos e proteção civil do estado.
O coração do projeto bate no território da inclusão e da comunicação acessível. Traduzidos para uma linguagem simples, os novos ODS foram desenhados especificamente para alcançar e proteger as populações que historicamente mais sofrem com os impactos de eventos extremos (como as secas prolongadas no Semiárido e as enchentes repentinas nas bacias hidrográficas).
Para Werton Costa, Diretor de Prevenção e Mitigação da Defesa Civil do Piauí, o foco da iniciativa está nas Populações Tradicionais e Vulneráveis:
O “ODS Sem Riscos” direciona seus esforços prioritários para grupos demográficos específicos e comunidades que operam como verdadeiras sentinelas ambientais no estado. O programa estrutura ações integradas voltadas para:
Comunidades Tradicionais e Ribeirinhas: Populações que vivem à beira de rios (como o Parnaíba e o Poti) e em áreas isoladas, cujas vidas e economias dependem diretamente do ciclo das águas e sofrem impacto imediato com enchentes ou estiagens severas.
A iniciativa também foca na Juventude: Engajamento de jovens por meio de educação climática e formação de lideranças comunitárias preparadas para agir na identificação de ameaças e na emissão de alertas.
Segmentos Altamente Vulneráveis: Protocolos específicos de salvaguarda, evacuação e assistência humanitária desenhados sob medida para idosos, crianças e pessoas com deficiência (PCD).
“Não há desenvolvimento sustentável possível se as franjas mais vulneráveis da nossa sociedade continuarem expostas ao perigo sem ferramentas de autoproteção. O ODS Sem Riscos simplifica a burocracia técnica para empoderar o cidadão ribeirinho, o idoso e a criança na escola”, destaca a coordenação técnica do programa.
A Adaptação dos ODS: Do Conceito Global à Proteção Local
Cada um dos ODS originais da ONU recebeu uma roupagem focada em mitigação, preparação e resposta a desastres. Onde a ONU lê “Erradicação da Pobreza” (ODS 1), o Piauí aplica a proteção dos meios de subsistência contra desastres agrometeorológicos. Onde se lê “Cidades e Comunidades Sustentáveis” (ODS 11), a Defesa Civil traduz para comunidades resilientes e preparadas para evacuações seguras.
Esta transposição prática foi viabilizada por meio de uma linguagem direta e deve ser explorada em cartilhas educativas adaptadas nos diferentes programas prevencionistas. A ideia é fazer com que o conceito de “redução de risco” seja tão assimilável no cotidiano quanto a importância de economizar água ou reciclar o lixo.




