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Considerado o criador do FUTSAL, jornalista Newton Zarani morre aos 93 anos

Folha Piauí por Folha Piauí
17 de junho de 2020
em Esportes
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Considerado o criador do FUTSAL, jornalista Newton Zarani morre aos 93 anos
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Uma das figuras mais emblemáticas da história do futsal morreu na madrugada desta segunda-feira. Newton Zarani, um dos idealizadores da modalidade, não resistiu após ser internado por causa de um acidente vascular cerebral (AVC) e faleceu aos 93 anos. O ex-jogador e também jornalista deixa a esposa, Maria Lúcia, e três filhos, Charles, Ives e Michelle.

Newton Zarani foi o primeiro atleta de futsal federado em todo o mundo após a criação da Federação Carioca de Futsal, em 1954, onde ele e um grupo de amigos faziam parte. Apaixonado pelo America, do Rio de Janeiro, ele seguiu carreira como jogador e treinador da modalidade no clube de coração antes de se tornar jornalista. Na profissão, passou 40 anos no icônico “Jornal dos Sports”, além de ter sido um dos pioneiros no papel de comentarista no rádio.

SUA HISTÓRIA

Em 1952, o carioca Newton Zarani resolveu juntar um grupo de amigos para jogar futebol no América–RJ, seu clube de coração. Só que o jovem de 25 anos deparou-se com um grande problema. Como o clube não tinha campo disponível, restava bater bola em uma das quadras poliesportivas da histórica sede de Campos Sales. Surgia ali o primeiro passo para a oficialização do futsal, que já era praticado de forma não oficial em São Paulo e no Uruguai. Em 1954, Zarani e seu grupo fundaram a Federação Carioca da modalidade, a mais antiga do mundo.

O carioca, inclusive, possui o status de ter sido o primeiro jogador federado do planeta. Hoje, aos 91 anos, Zarani leva uma vida tranquila na Zona Norte do Rio. Depois de seguir carreira como jogador, treinador e dirigente de futsal, o nonagenário ainda atuou como jornalista esportivo, aposentando-se da função em 2005. Newton Zarani é o participante deste domingo da série “Papo de Salão”, do SporTV.

– O futsal surgiu de uma necessidade. Nós não tínhamos onde jogar no América, então resolvemos criar um futebol que se pudesse jogar num espaço menor. Criamos um jogo que prezava pela técnica, sem violência e formamos um time de futsal para o América. O presidente do América gostou e resolveu investir na gente. Sofríamos muito preconceito por causa do uniforme que a gente usava e pela concorrência com o vôlei e com o basquete. Depois do nosso surgimento, apareceram vários times pela cidade como Vila Isabel, Maxwell, Mackenzie… Só que nós precisávamos oficalizar isso – contou Zarani em entrevista na quadra do Club Municipal, um dos mais antigos do Rio.

Newton Zarani (camisa 3 em pé) com o time de futsal do América-RJ dos anos 50 — Foto: Flávio Dilascio
Newton Zarani (camisa 3 em pé) com o time de futsal do América-RJ dos anos 50 — Foto: Flávio Dilascio

Após dois anos de muitos jogos e competições amadoras, Newton Zarani e um grupo de jogadores resolveram fundar a Federação Carioca. A reunião que culminou na criação da entidade aconteceu no dia 28 de julho de 1954, no restaurante Cafofo da Carola, dentro da sede do América. O local, inclusive, virou a sede da Federação num primeiro momento.

– Nós precisávamos de uma federação para criar campeonatos oficiais, registrar jogadores, enfim, organizar o nosso esporte. Depois que fundamos a Federação Carioca, o futsal cresceu na cidade, e, em um ano, já éramos o segundo esporte mais praticado no Rio – destacou Zarani, também conhecido como “Charles Miller do Futsal”.

Como jogador, Zarani atuou apenas pelo América, que também foi o seu primeiro clube como treinador. Da equipe de Campos Sales, o baluarte da bola pesada migrou para o Club Municipal, onde fincou raízes até os dias atuais. Filho de Newton Zarani, Charles Calomino trabalha como treinador das divisões de base da equipe tijucana há mais de 30 anos.

Após fazer história como jogador, treinador e dirigente, Zarani tornou-se jornalista esportivo. Com passagens por rádios, onde foi um dos pioneiros na função de comentarista, o carioca foi trabalhar no extinto Jornal do Sports. No veículo, cobriu futsal, futebol de campo e diversas outras modalidades. Histórias curiosas são o que não lhe faltam.

– Uma vez me colocaram para cobrir hipismo. Eu não conhecia nada daquele esporte. Cheguei na Gávea, onde estava havendo a competição, me informei sobre as regras com um colega e me aventurei na cobertura. Pouco depois estava cobrindo hipismo direto e fazendo matérias com palpites dos cavalos vencedores – disse o veterano.

Apesar das muitas estradas seguidas ao longo da vida, Zarani segue acompanhando o futsal de longe. Fazendo um paralelo com a sua época, ele enumera diversas diferenças entre o esporte que era praticado no seu tempo e o que é jogado nos dias atuais.

– Hoje em dia está faltando aquela disciplina que nós tínhamos. A parte física está maior também. Só que hoje está mais fácil virar craque, nós éramos mais técnicos. Atualmente os caras entram e saem da quadra o tempo todo, então acabam jogando muito pouco. Na nossa época o jogo parava quando tinha substituição. Hoje temos muitos malabaristas, que na minha época não seriam craques – comparou.

Zarani lamenta apenas que o Rio não tenha mais grandes equipes de futsal – o último carioca a participar da LNF foi o Botafogo em 2012. Saudosita, o “Charles Miller do Futsal” relembra os tempos áureos da modalidade no Rio, que foram os anos 80.

– Eu divido o futsal do Rio em duas épocas: antes e depois do Bradesco. O Bradesco profissionalizou o esporte a partir dos anos 80, tanto que foi tricampeão carioca. Era uma época muito boa, os ginásios viviam cheios. Vi vários craques jogarem futsal. Pena que acabou, mas, pelo menos, estou vendo que a semente que nós plantamos lá atrás se espalhou pelo mundo – finalizou.


Tags: Futsal

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