Nasceu um novo líder. O título da Copa do Brasil colocou o técnico Tiago Nunes, do Athletico, na primeira colocação do “Ranking de Treinadores O Globo/Extra”, que mede o desempenho dos técnicos brasileiros nos últimos 12 meses. É o terceiro gaúcho a liderar o levantamento, divulgado pela primeira vez no fim de 2018. Renato Gaúcho, do Grêmio, ficou na ponta até abril, e Felipão, ex-Palmeiras, assumiu de lá até o mês passado.
— Ter o reconhecimento num ranking brasileiro é sempre uma marca histórica, que gera muita felicidade. Mas, ao mesmo tempo, também sei que é sazonal, porque é um ranking que se transforma, que muda. Espero poder merecer as primeiras posições durante muito tempo — comemorou o treinador, em entrevista ao GLOBO, ciente de que manter a liderança é complicado.
Como contam os pontos do último ano, Nunes perderá no fim da temporada os conquistados no outro título importante que levantou: a Copa Sul-Americana de 2018, em dezembro.
O momento, porém, é de celebrar a conquista mais recente, da Copa do Brasil, que o alçou ao posto.
— Foi emocionante. Foi a consolidação de um projeto de muitos anos. Representa a mudança de nível do Athletico de um dos grandes clubes para um dos gigantes do futebol nacional — analisa Tiago Nunes. — E também mostra que é possível se construir boas campanhas e conquistar títulos aliando a continuidade do trabalho com a formação de jovens atletas e com conceitos bem estabelecidos institucionalmente.

Sonho com o Mundial
Líder, Tiago é o único dos 15 primeiros colocados que nunca foi técnico de um grande time do Rio, São Paulo, Minas Gerais ou Rio Grande do Sul, os principais estados do futebol no país, o que aumenta o valor de suas conquistas pessoais e dos títulos recentes do clube paranaense. Sua chegada a um clube de Série A aconteceu após trabalhar no sub-23 do próprio Athletico.
Cobiçado por vários outros clubes do país, Tiago Nunes é reticente sobre seus próximos passos na carreira, mas dá a ideia de que quer continuar em Curitiba por enquanto. Se for em outro lugar, que seja da mesma maneira:
— Os meus sonhos passam por continuar trabalhando no futebol por muito tempo. Quero continuar fazendo a diferença na vida das pessoas que estão à minha volta. Esse é meu maior propósito no futebol. Busco colaborar com a formação dos atletas, de jovens cidadãos e deixar um bom legado por onde passo.
Com o crescimento de patamar do clube nos últimos anos, Tiago Nunes não duvida da profecia de Mario Celso Petraglia, presidente do Conselho Deliberativo e homem-forte do Athletico, de que o time será campeão mundial até 2024.
— Acredito que seja possível. O Athletico, pelo fato de estar jogando mais uma Libertadores, vai se credenciando cada vez mais a entender o perfil da competição. Buscamos chegar mais longe na Libertadores e isso é o primeiro passo para se buscar uma vaga numa disputa de um Mundial.

Absoluto na Copa do Brasil
Contra o Internacional, em setembro, Tiago Nunes mostrou que as conquistas anteriores não tinham sido mero acaso. O Athletico foi absoluto contra o Internacional, vencendo por 1 a 0 na Arena da Baixada e triunfando por 2 a 1 em pleno Beira-Rio.
— Foi emocionante. Foi a consolidação de um projeto de muitos anos. Representa a mudança de nível do Athletico Paranaense de um dos grandes clubes para um dos gigantes do futebol nacional —analisa Tiago Nunes.
— E também se mostra que é possível se construir boas campanhas e conquistar títulos aliando a continuidade do trabalho com a formação de jovens atletas e com conceitos bem estabelecidos institucionalmente — acrescentou.
Após a vitória no jogo de ida, Tiago Nunes não se contentou em colocar o clube para se defender para garantir o resultado em Porto Alegre. Ele resolveu atacar. E deu certo.
— Sabíamos que se fossemos somente para defender o resultado prévio obtido em casa teríamos muita dificuldade e provavelmente não teríamos obtido sucesso. A estratégia principal era ser uma equipe que se sustentasse defensivamente com qualidade, mas que não abdicasse, em momento algum, de buscar o ataque — analisa ele.
Uso da base
A busca pelo ataque foi aliada a apostas acertadas do treinador. Apesar de não contar com um dos principais orçamentos do futebol brasileiro, o técnico tem utilizado com eficiência a base do clube paranaense para revelar atletas e preencher eventuais deficiências do elenco.
Do time que fez o jogo decisivo contra o Internacional, quatro jogadores começaram nas divisões inferiores base do Athletico, incluindo ídolos como o goleiro Santos e o atacante Marcelo Cirino, além de jovens promessas como o zagueiro Léo Pereira, 23, e o lateral-direito Khellven, 18, que apesar da pouca idade souberam suportar a pressão gaúcha.
— O segredo é estar diretamente envolvido com a qualificação dos atletas. A busca por envolver o atleta com sua melhora individual, gera um envolvimento dos jogadores que estão sendo treinados. Esse comprometimento gera aspectos coletivos muito fortes —analisa.
— A gente trabalha quase como um fio condutor dos sonhos desses jovens atletas da base e também com a manutenção da fome de competir dos atletas mais experientes — completa.



