O PSTU ressaltou que fez uma campanha sem tempo de TV e rádio e sem o direito de participação nos debates, o que são fatores que prejudicaram o partido no processo

O diretório do PSTU em Teresina, que nestas eleições lançou Gervásio Santos como candidato a prefeito da capital, comunicou que neste segundo turno, disputado por Dr. Pessoa (MDB) e Kleber Montezuma (PSDB), não apoiará nenhum dos dois nomes. Vale ressaltar que Gervásio e Montezuma são irmãos.

O posicionamento foi anunciado nesta quinta-feira (19), por meio de nota oficial, na qual a sigla fez uma avaliação do primeiro turno das eleições em Teresina. O PSTU ressaltou que fez uma campanha sem tempo de TV e rádio e sem o direito de participação nos debates, o que são fatores que prejudicaram o partido no processo.

“Agradecemos os votos na nossa candidatura que foram postas no nosso programa socialista e revolucionário. O PSTU sai dessa campanha mais convicto de que a democracia dos ricos não serve à classe trabalhadora e da necessidade de defesa do socialismo num momento em que o sistema capitalista oferece apenas a barbárie aos trabalhadores e ao povo pobre”, consta no texto.

Em relação ao segundo turno, o PSTU avalia que as duas opções que estão postas não são alinhadas com as bandeiras que o partido defende. “Terminado o primeiro turno das eleições, em Teresina, as opções que saíram para o segundo turno não representam e, nem tampouco, ajudam a nossa classe numa saída para a crise econômica capitalista e a crise sanitária que vivemos com consequências graves para a classe trabalhadora e o povo pobre”.

Diante disso, o PSTU declarou que não apoiará Dr. Pessoa, tampouco Kleber Montezuma no segundo turno. “O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, PSTU em Teresina chama o voto nulo no segundo turno das eleições. Nem Kleber Nem Dr. Pessoa. Vote nulo”, diz a nota.

Leia a nota do PSTU na íntegra:

NOTA DO PSTU-PI

VOTE NULO NO SEGUNDO TURNO DAS ELEIÇÕES EM TERESINA!

Enfrentando a regra eleitoral antidemocrática e o poder econômico, o PSTU apresentou uma alternativa socialista para Teresina. Fizemos uma campanha sem tempo de TV e rádio, e excluídos dos debates. As eleições funcionam como uma espécie de espelho distorcido da realidade e da luta de classes. São um terreno no qual a força real e coletiva da classe trabalhadora e dos setores populares e oprimidos organizados e mobilizados contra o capital é menor. Reduz-se ou se dissolve na ação individual do voto, à mercê do poder econômico, da manipulação da mídia e do controle bilionário dos capitalistas. Isso não significa que os resultados não sejam importantes, porque, mesmo que de forma distorcida, as eleições refletem a realidade, de certa maneira, e incidem sobre ela. Contudo, não têm dez por cento da importância da luta e da ação direta da nossa classe, único caminho que pode levar a mudanças profundas e à esperança de uma nova sociedade.

Embora as eleições sejam um terreno antidemocrático e que o poder econômico predomina, o PSTU, de maneira geral, não pode furtar-se a participar delas ou abster-se de intervir no processo eleitoral para apresentar um projeto socialista, revolucionário e de independência de classe, buscando construir essa alternativa. Mesmo nas condições mais adversas possíveis como ocorreu em 2020.

Em Teresina, o PSTU apresentou uma candidatura defendendo uma alternativa da classe trabalhadora, operária socialista e revolucionária diante da crise do capitalismo. Voltado para os trabalhadores e setores marginalizados e oprimidos a nossa classe na periferia. Dialogamos com a pauta das mulheres, dos negros e do movimento LGBT. Foi uma campanha realizada na periferia, nas fábricas e nas ocupações urbanas, bem como junto os servidores públicos da saúde e educação, aos transportes coletivos dentre outros.

Agradecemos os votos na nossa candidatura que foram postas no nosso programa socialista e revolucionário. O PSTU sai dessa campanha mais convicto de que a democracia dos ricos não serve à classe trabalhadora e da necessidade de defesa do socialismo num momento em que o sistema capitalista oferece apenas a barbárie aos trabalhadores e ao povo pobre.

NEM KLEBER, NEM DR. PESSOA! VOTE NULO!

Terminado o primeiro turno das eleições, em Teresina, as opções que saíram para o segundo turno não representam e, nem tampouco, ajudam a nossa classe numa saída para a crise econômica capitalista e a crise sanitária que vivemos com consequências graves para a classe trabalhadora e o povo pobre.

Tanto Bolsonaro como os demais governos (inclusive os eleitos agora nos municípios) e o Congresso Nacional virão para cima da nossa classe, dando continuidade à guerra social contra os direitos, impondo a semiescravidão e a entrega do país. Reforma administrativa, privatizações, despejos nas ocupações, continuidade da alta dos preços dos alimentos e gás de cozinha, aumento das taxas de água e energia, dos combustíveis são alguns dos ataques que virão em breve. O fim do auxílio emergencial, por sua vez, vai aprofundar a pobreza e a miséria. E o país continuará a ser recolonizado à custa do rebaixamento da condição de vida da classe trabalhadora e da maioria do povo. Com isso aumentará a superexploração dos trabalhadores e jovens, sobretudo das mulheres e da população Negra.

Kleber (PSDB) E Dr. Pessoa (MDB) são farinha do mesmo saco e representam esse projeto de ataque aos trabalhadores. São candidaturas aliadas ao governo Bolsonaro e irão reproduzir, caso eleitos, esses mesmos ataques à nossa classe em âmbito municipal. Por isso, o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, PSTU, em Teresina, chama o VOTO NULO no segundo turno das eleições. Nem Kleber Nem Dr. Pessoa. Vote nulo!

A tarefa imediata e fundamental colocada para a classe neste momento é fortalecer sua organização e construir a resistência aos ataques, assim como lutar para colocar para fora Bolsonaro e Mourão, defender a Amazônia e os nossos direitos. Lutamos pela perspectiva de superação do capitalismo para a qual levamos à frente a construção de uma alternativa revolucionária e socialista. Uma alternativa que não repita a velha conciliação de classes do PT, de governo em aliança com a burguesia, mas que coloque a necessidade de que os trabalhadores e o povo pobre, negro e oprimido governem com os Conselhos Populares.

FORA BOLSONARO E MOURÃO!

DIREÇÃO ESTADUAL DO PSTU/PI

Fonte: Portal GP1