Algumas ruas foram interditadas para realização de intervenções de acessibilidade; obra deve durar 30 dias

Algumas ruas do Centro de Teresina foram interditadas para a realização de obras de acessibilidade. Porém, as intervenções que estão sendo feitas têm causado prejuízos e transtornos para lojistas e pedestres que trabalham ou transitam pelo local. Os entulhos e buracos têm, inclusive, colocado em risco a segurança dos transeuntes, que chegam a cair devido aos resíduos da obra.

A vendedora ambulante Janiele Lima (29) conta que caiu algumas vezes por conta dos inúmeros buracos que se formaram nas calçadas e ruas. Ela comenta que também já presenciou pedestres tropeçando nos entulhos e escorregando nas calçadas por conta da poeira.

“Eu tanto já caí nesses buracos como já presenciei pessoas caindo e se machucando. São buracos que estão ao longo de todas as ruas e, mesmo as pessoas tendo cuidado, elas ainda se machucam”, disse.

Além disso, Janiele Lima comenta também que as vendas chegaram a cair consideravelmente depois que as obras iniciaram, na segunda semana de agosto. Ela, que comercializa calçados, cita que, por dia, chegava a vender até 18 pares de calçados e, após as intervenções na via terem iniciado, Janiele mal consegue concluir cinco vezes diariamente.

“As vendas estão fracas e as obras atrapalharam muito, tanto a poeira quanto os entulhos, principalmente porque as pessoas estão evitando andar por esses trechos em obra, então a movimentação cai, e, consequentemente, as vendas. Eles deveriam ter feito essa obra na época da pandemia, quando as lojas estavam fechadas e não tinham pessoas transitando pelas ruas. O centro passou quase cinco meses fechados e só vieram fazer isso agora. Aqui [Avenida Rui Barbosa] é uma das principais vias do Centro. Deviam ter feito essa obra por partes e não tudo ao mesmo tempo”, enfatiza a vendedora.

Quem também tem o mesmo pensamento é o ambulante João Barbosa (60), que trabalho no Centro de Teresina há quase 30 anos. Ele argumenta que as obras estão prejudicando as vendas e colocando em risco as pessoas, especialmente aquelas que têm dificuldade para se locomover, vez que os buracos e entulhos estão comprometendo parte das calçadas e ruas.

“As pessoas reclamam bastante do transtorno, principalmente por conta dos entulhos, da poeira e dos buracos. Eu acredito que deveriam ter feito essa obra por partes, assim não parava todas as ruas do Centro ao mesmo tempo e não ficava esse caos”, enfatiza João Barbosa.

As obras de acessibilidade estão acontecendo entre as ruas Simplício Mendes, no trecho entre a Senador Teodoro Pacheco e Paissandu, e Rui Barbosa, entre as ruas Coelho Rodrigues e Senador Teodoro Pacheco. A engenheira da SDU, Adélia de Melo, explica que a interdição foi necessária para que seja feita a remoção do pavimento e, em seguida, a implantação do novo piso.

“Estamos trabalhando na acessibilidade do Centro de Teresina e, no momento, estamos no trecho da Avenida Rui Barbosa, que está recebendo novo piso e será padronizado em toda região central, desde a Avenida Maranhão até a Rua Barroso, e da Rua Coelho Rodrigues até a Rua Paissandu. Pedimos a colaboração e compreensão das pessoas, que evitem passar por esse trecho porque se encontra em obras, mas em breve será liberado.

O supervisor dos Agentes de Trânsito da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (Strans), Ricardo Braga, orienta que os motoristas optem por vias paralelas e alternativas, como a Avenida Maranhão ou ruas 13 de Maio e 7 de Setembro, de forma a evitar congestionamento nos trechos que estão interditados.

“Como aqui é uma área bastante central e com um fluxo muito grande, e como a principal via interditada é a Rui Barbosa, que liga a zona Norte, passando pelo Centro e zona Sul da cidade, acreditamos que o impacto está sendo muito grande, pois o fluxo nesse trecho é muito intenso. Essa interdição faz com que muitos veículos fiquem interditados nas vias próximas a ela, por isso, recomendados que todos os condutores que transitam por essas vias diariamente utilizem outras ruas”, completa Ricardo Braga.

A obra

A interdição terá duração de 30 dias e está sendo coordenada pela Superintendência de Desenvolvimento Urbano Centro Norte, com apoio da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans).

O projeto completo prevê uma série de intervenções na área, como implantação de ciclofaixas e calçadas com piso tátil, facilitando a mobilidade das pessoas com deficiência visual. Ao todo, somando os dois contratos de serviços, serão investidos mais de R$ 14 milhões, oriundos do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF).

Fonte: Portal O Dia