Em entrevista concedida a jornalistas, na tarde desta quinta-feira (2), o prefeito Firmino Filho (PSDB) alertou para o desrespeito às medidas restritivas em Teresina (PI), para reduzir a propagação do novo coronavírus. O índice de isolamento da população usado pelo Município caiu de 60% para 53% nos últimos dias, e faz o gestor novamente apelar para que as pessoas fiquem em casa. 

Na videoconferência, o prefeito apresentou números baseados no mapeamento de 217 mil telefones celulares que foram deslocados em um raio de 400 metros. Na primeira semana de adoção das medidas restritivas, com suspensão das aulas e fechamento do comércio, a estimativa de pessoas isoladas chegou a 60%. Na segunda semana, o número caiu para 53%. 

Firmino Filho acredita que o percentual de pessoas em isolamento social em Teresina seja menor, uma vez que o estudo desconsidera pessoas que se deslocaram sem fazer uso do telefone celular. 

“Vamos praticar mais do que nunca esse isolamento, porque diante desses dados, nós vamos ter que tomar medidas mais duras”.

Desde o início da semana, o Cidadeverde.com tem flagrado pessoas nas ruas, estabelecimentos comerciais abertos, e filas em lugares como casas lotéricas. Firmino Filho afirmou que estuda formas de endurecer as medidas para restringir a circulação de pessoas.

O prefeito atribuiu a queda nesse índice de isolamento, em parte, a uma acomodação natural das pessoas com o número ainda pequeno de casos confirmados da Covid-19 no Piauí – eram 19 no boletim da última quarta-feira (1º).

Com pico de casos estimado para final de abril e início de maio, Firmino Filho demonstrou preocupação com viagens durante a Semana Santa, quando pessoas infectadas e sem sintomas da Covid-19 poderão levar a doença para municípios do interior do estado. 

“O período de quarentena é longo, e as pessoas, ao longo do tempo, vão se acostumando com a ideia. A sensação de risco vai diminuindo. (…) E a gente deixa de se comportar como algo grave e passa a se comportar como algo banal. Isso não pode acontecer”.

No melhor dos cenários apresentados pelo prefeito, o Piauí precisará de 3.500 leitos para internação – quando dispõe de aproximadamente mil. Cerca de 700 pessoas morreriam. Sem as medidas de isolamento, o estado pode precisar de 90 mil leitos para internação e ter 18 mil mortes. 

“Vários outros países que não se prepararam e entenderam que era uma epidemia pouco significativa, ou que acreditaram que o seu sistema de saúde era robusto, qualificado, grande, competente, esses países não se anteciparam. A gente está vendo o que está acontecendo na Itália, na Espanha, nos Estados Unidos. Países de primeiro mundo, com alta qualidade de vida, mas que estão sendo nocauteados pelo vírus”. 

Lei seca

O prefeito disse que acionou o setor jurídico para estudar a possibilidade de implantar a lei seca na cidade. Ele disse ainda que teve informação do HUT que aumentou o número de acidentes de veículos, devido o aumento de fluxo na cidade. 

Não sabe quanto tempo vai durar

Firmino ressaltou que o isolamento é a única alternativa para reduzir os casos e que o cenário ainda é de incertezas. “É importante que saímos vivos. Não se sabe quanto tempo vai durar. A China demorou dois meses. Aqui não se sabe”. 

Zona Sul que mais desrespeita

A região Sul é que mais desrespeita o isolamento, segundo o aplicativo. Firmino disse que não sabe a meta ideal e comparou a Recife (PE) que alcança meta, em alguns momentos, semelhantes com Teresina de adesão ao isolamento. 

Estado de guerra

“A gente está em um estado de luta, de guerra muito grande. E a nossa luta é o isolamento. O nosso exercito inimigo está entre nós. E todas as vezes que nós fazemos contato, ele se fortalece. O nosso adversário, inimigo invisível, cresce quando a gente se comunica presencialmente, quando a gente se encontrar”. 
 

Firmino diz que é do grupo de risco

Durante entrevista, Firmino tossiu várias vezes. Esclareceu a imprensa que o incômodo se deve a “renite alérgica associado a sistema nervoso”. Ele fez teste para a Covid-19 e deu negativo. Na entrevista, falou que poderá fazer novamente o exame. O prefeito, que tem 57 anos, disse ainda que é do grupo de risco por ser hipertenso e já ter fumado, mas que não pode parar porque a cidade precisa dele. 

Fonte:cidadeverde.com