Núcleo de Feminicídio, vinculado à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), concluiu nesta segunda-feira (07) o inquérito policial da morte da jovem Vanessa Carvalho e do atropelamento e lesão corporal dela e de sua amiga, Anucha Leite, ocorrido na madrugada do domingo, 29 de setembro. 

Pablo Henrique Campos Santos, apontado como autor do crime, foi indiciado por homicídio tentado, praticado contra Anucha; e por homicídio consumado, praticado contra Vanessa.

Ambos os crimes possuem a qualificadora do feminicídio, ou seja, quando o delito é praticado pelo simples fato da vítima ser mulher, revelando o menosprezo do autor do crime pela figura feminina. A informação foi confirmada ao Portal O Dia pela delegada Luana Alves, coordenadora do Núcleo de Feminicídio.

“Nós entendemos que a conduta dele foi direcionada a atingir as duas vítimas, tanto a Vanessa, como a Anucha. Então ele cometeu um homicídio consumado e um homicídio tentado e dentro desse homicídio nós observamos a qualificadora do feminicídio para as duas. A Anucha, pelo fato da violência doméstica. Me informaram que eles tiveram uma discussão por ciúmes no casamento.n Já a Vanessa, o Pablo se incomodava muito com a amizade dela com a Anucha, ele tinha alguns julgamentos machistas em relação à amiga da namorada”, explica a delegada.


Vanessa Carvalho (de branco) e Anucha Leite (de preto) foram atropeladas por Pablo Henrique Campos – Foto: Reprodução/Instagram

O relatório de investigação aponta que Pablo Henrique mantinha com Anucha um relacionamento abusivo e, muito embora ela não tenha relatado ter sofrido agressões físicas dele, a jovem sofria abusos psicológicos. Segundo a delegada Luana, Anucha tinha sua liberdade de agir, de ir e vir e de conversar com as pessoas tolhida pelo comportamento do namorado.

Além destes pontos, foi incluído também como qualificadora dos crimes cometidos por Pablo a impossibilidade de defesa das vítimas. Conforme apontaram os depoimentos das testemunhas que viram o ocorrido, ele acelerou o carro com claro objetivo de atingir Anucha e Vanessa e exerceu uma velocidade muito elevada, impedindo que as vítimas desviassem ou tentassem se defender de alguma forma. 

“Eu fico pensando é que se a gente está na rua e vê um animal, um cone de sinalização que seja, a gente desvia, e o Pablo não. Ele viu aquelas meninas e as atingiu como se a vida delas não tivesse o menor valor”, discorreu a delegada Luana.

Com a conclusão do inquérito e o indiciamento de Pablo, a polícia vai encaminhar o relatório da investigação para o Tribunal de Justiça, que deverá despachar o documento ao Ministério Público. O MP analisará as provas colhidas e anexadas e decidirá se vai ou não oferecer a denúncia ao Judiciário. 

Se for denunciado, Pablo passará da condição de indiciado para a condição de formalmente acusado. No caso de Tribunal de Justiça acatar a denúncia do MP, ele poderá passar para a condição de réu no processo.