Após as decepções em Libertadores recentes, o Flamengo retorna ao principal torneio da América do Sul – terceira participação consecutiva – com transformações significativas no futebol, dando sinais claros de falta de convicção, especialmente, no trabalho anterior. No entanto, para a estreia nesta terça-feira, 19h15 (de Brasília), contra o San José, pelo Grupo D, o clima não é de tanta euforia, apesar da mudança de comando e R$ 100 milhões investidos na contratação de reforços.

A falta de paciência para a consolidação de um trabalho já mina Abel Braga interna e externamente. Tal qual aconteceu com Maurício Barbieri ano passado. Contratado por ser ser um treinador experiente para curar o problema apontado por muitos no clube como a “dificuldade de lidar com um time de jogadores renomados”, a incerteza sobre o futuro paira sobre Abel, e o resultado aparece novamente como determinante. Não vencer na altitude de 3.700m de Oruro ganharia ares de primeiro vexame e, quem sabe, até a troca do treinador.

Março ainda reserva o segundo jogo na Libertadores, no dia 13, contra a LDU, do Equador, no Maracanã. Antes, o clássico no sábado, diante do Vasco, pela Taça Rio (segundo turno do Estadual). Receita perfeita para a equipe engrenar ou patinar novamente num momento decisivo da temporada.

A base do time para esta terça-feira foi a que iniciou a disputa da Taça Rio, com Arrascaeta pela direita, Bruno Henrique na esquerda, e Gabigol como centroavante. Formação totalmente modificada no setor em relação ao ano passado, quando Lucas Paquetá era o grande destaque.

– O time está pronto. Vamos encarar de igual pra igual, com alguns detalhes fundamentais para jogar na altitude. Se fizermos bem, a possibilidade de vencer é grande. Eu e Diego comentamos na corrente dos jogadores sobre a nova competição, fora de casa. Estamos confiantes. Eles têm uma boa equipe, lançam muito a bola e um atacante alto – avisou Abel Braga.

Retrospecto ruim acima do nível do mar

Jogar muito acima do nível do mar não é novidade para o Flamengo. Porém, em jogo com altitude de 3.000m ou mais, o retrospecto rubro-negro é ruim. Fora cinco partidas, com três derrotas, um empate e uma vitória (sobre o Cienciano, do Peru, pela Libertadores de 2008).

Para o jogo, o Flamengo montou um esquema especial. Desde janeiro, os atletas tomam medicamentos para aumentar a captação de oxigênio e fazem exercícios respiratórios com aparelhos que estimulam os músculos responsáveis por inspiração. Haverá balões de oxigênio e um cardiologista como segundo médico.

A delegação rubro-negra seguirá para Oruro – ficou em Santa Cruz de la Sierra, apenas 400m acima do nível do mar – em voo fretado somente seis horas antes da partida para não sofrer tanto com a altitude.