A Justiça determinou nesta quinta-feira, 17, a prisão do médico Augusto César Barretto Filho, de 74 anos, acusado de abusar sexualmente de pacientes em seu consultório. O pedido partiu do Ministério Público e a decisão foi do juiz João Pedro Bressane de Paula Barbosa, da 2ª Vara Criminal de Presidente Prudente (SP), onde o acusado atuava na área de cardiologia.

O MP alegou que havia o risco de o médico voltar a agir, uma vez que continua com registro profissional ativo. Nesta quinta-feira, 17, mais sete mulheres foram à Delegacia de Defesa da Mulher e chegou a 33 o número de denúncias contra o cardiologista. Outras 20 ligaram dizendo que também foram vítimas, mas que ainda estudam se irão à polícia.

A delegada Adriana Pavarina diz que isso acontece por se tratar de crime com conotação sexual. “É normal que algumas mulheres se sintam um pouco constrangidas a ir diretamente fazer a denúncia.” A polícia acreditava que os abusos tinham começado em 2008, mas há relato de uma vítima do cardiologista há mais de 20 anos.

Os relatos são parecidos e indicam que o acusado agia durante as consultas. “Na hora de medir a pressão arterial ou as batidas do coração, ele acariciava as partes íntimas das pacientes e até encostava seus órgãos genitais nelas”, explicou a delegada.

O médico chegou a ser denunciado em 2008, mas não foi condenado. Em julho do ano passado, voltou a agir e acabou denunciado de novo. A polícia, então, ouviu outras pacientes que confirmaram problemas no atendimento. Ele passou a responder por crime de violação sexual mediante fraude, que pode render até 6 anos de reclusão.

Conselho

Augusto César Barretto Filho pediu no ano passado o cancelamento de seu registro no Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). Ele, porém, também é investigado pelo órgão, que indeferiu a solicitação por considerar que isso “tornaria nulas as consequentes medidas punitivas”. Na delegacia as novas reclamações são objeto de inquéritos que devem se juntar ao processo já encaminhado ao Fórum.

Defesa

O cardiologista foi chamado à DDM no mês passado, negou as acusações e disse que falaria a respeito somente em juízo. O advogado de defesa, Emerson Longhi, diz que não se manifestará em respeito às partes e porque o caso tramita em segredo de Justiça.